terça-feira, 3 de fevereiro de 2009


"Venha quando quiser, ligue, chame, escreva - tem espaço na casa e no coração, só não se perca de mim"



"Tenho dias lindos, mesmo quietinhos"
"Continuo a pensar que quando tudo parece sem saída, sempre se pode cantar. Por essa razão escrevo."


"Tenho uma vontade besta de voltar, às vezes. Mas é uma vontade semelhante à de não ter crescido"

Não, você não sabe, você não sabe como tentei me interessar pelo desinteressantíssimo...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

.. Mas só muito mais tarde, como um estranho flash-back premonitório, no meio duma noite de possessões incompreensíveis, procurando sem achar uma peça de Charlie Parker pela casa repleta de feitiços ineficientes, recomporia passo a passo aquela véspera de São João em que tinha sido permitido tê-lo inteiramente entre um blues amargo e um poema de vanguarda. Ou um doce blues iluminado e um soneto antigo. De qualquer forma, poderia tê-lo amado muito. E amar muito, quando é permitido, deveria modificar uma vida – reconheceu, compenetrado. Como uma ideologia, como uma geografia: palmilhar cada vez mais fundo todos os milímetros de outro corpo, e no território conquistado hastear uma bandeira. Como quando, olhando para baixo, a deusa se compadece e verte uma fugidia gota do néctar de sua ânfora sobre nossas cabeças. Mesmo que depois venha o tempo do sal, não do mel. ...

Caio Fernando Abreu
"Cada um é segredo da vida do outro...Daí que todo encontro é uma denuncia anônima."