sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Abstração

É fácil abstrair:


Um Lexotan 6mg;
Um pacote de BIS;
Uma massagem nos pés e outra na alma;
Um Ocadil;
Telefone desligado;
Um pote de doce de leite com Ameixa;
Um café extra-forte;
Rir com o filho;
Meia hora no chuveiro;
Acender uma vela de sete dias pra cada Santo que há (sem esquecer os que estão em processo de canonização);
Fazer promessa pra Sta. Terezinha...


Tenho convicção que saio ilesa deste dezembro cheio de surpresas sem-graça!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Então é Natal...

Há o Natal... Sempre adorei o Natal, mas como falei no outro post, este ano ficarei trabalhando. Fiz questão de estar 'sozinha', por mais que esteja rodeada de pessoas que eu amo: meus colegas de trabalho.

 No passado meu natal sempre foi mágico! Minha mãe vestia sempre um vestido novo, de princesa, em mim. Ia uma mulher fazer meu cabelo e o dela (que me fazia sentir a menina mais linda do mundo, pelo menos era o que meu pai dizia.rs) e a partir das 20:00 chegavam os parentes e aderentes!
Uma maravilha!
Natal de fartura o da minha infância! O pisca-pisca de luzes enormes ficava em uma roseira no jardim. Na sala ficava a árvore com as bolinhas traiçoeiras, daquelas de vidro, bem diferente do que se tem hoje em dia, um perigo pra criançada, chegar perto dela equivalia a um grito desesperado de um adulto (pq adulto pensa que toda criança é  retardada?Será que eles pensavam que iriamos abraçar a árvore, ou jogar as lâmpadas nos convidados? dããã...). A mesa era um negócio do outro mundo, minha mãe fazia questão de fazer tudo em casa, e confesso que até hoje não vi um sabor tão especial quanto o da comida dela na época do Natal. Do meu lado, eu tentava ao máximo ficar acordada até a missa do Galo, em vão, nunca matei minha curiosidade de saber se tinha um galo apresentando-a. Meus irmãos contavam histórias mirabolantes no dia seguinte e por mais que eu desconfiasse que eles mentiam, só poderia tentar confirmar no ano seguinte. 
Foram mais ou menos uns doze anos de felicidade, até meu avô paterno falecer e começarem as discussões sobre herança (uma lástima quando envolve muito dinheiro) e o Natal que era na minha casa, passou a ser na casa de algum tio ou primo, com menos da metade das pessoas do passado.
Depois todo mundo foi crescendo e o Natal passou a ser na casa de namorados, namoradas(dos meus irmãos), amigos...Teve natal que eu passei em oito casas diferentes. 

Talvez nunca mais tenha aquela sensação da infância, de felicidade suprema. Pra falar a verdade me embrulha o estômago ouvir a Simone cantando: 'então é natal e o que vc fez?'...

Com os dissabores, muita gente, como minha mãe, ficou desgostosa do Natal, e eu passei a sessão nostalgica mais traumatizante da minha existência (pelo segundo ano consecutivo, pelo menos). Até a árvore de Natal que ano passado enfeitou minha casa em Ipu, este ano dei de presente à minha manicure. 

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Rotina de um plantão SN

Vou contar pra vocês um pouquinho da minha rotina quando em um plantão noturno.
 Este foi 24/25 de novembro de 2010.

Recebo o plantão exatas 19:00 da minha amiga Edmara, no momento deste uma reportagem sobre a saúde no nosso município faz correr pra 'meu' repouso o médico, ela e eu.

Às 19:15 as pessoas que estão esperando atendimento começam a reclamar e eu tento buscar no fundo da memória, quando que (com plano de saúde) eu fui atendida quinze minutos após chegar ao hospital. 'Escavo' e certifico-me: NUNCA!!! Mas, dou um sorriso tranquilizador e penso que o ser humano é assim mesmo.
Quando meu colega atende todo mundo (dezenove pessoas no total), me fala que apenas uma era realmente preocupante, as outras pessoas: pedidos de exames, receita controlada, mostrar exames, etc...

Às 24:00 chega um homem grande, tatuagem idem no braço esquerdo e um diagnóstico: colecistite. Preencho a papelada burocrática e faço questão de puncionar o acesso venoso (pra não perder a prática, comento com minha técnica);

Às 01:30 batidas fortes na minha porta e no repouso médico, que fica 'colado' ao meu, me fazem dar um salto da cama.
Saímos no mesmo instante e ambos já nos rendemos aos pijamas hospitalares, daqueles que engordam pessoas magras e fazem triplicar a gordura das gordas, mas de confortabilidade indescritível! Estamos, os três: médico, enfermeira e auxiliar simplesmente horríveis!!!
De longe ouvimos:
-'Eu era um bêbado, com o estômago furado...'
Inevitável não soltar uma gargalhada!

Eu abordo primeiro:
-Qual o motivo da consultar Sr.?
-É que minha veias estão todas grudadas no pescoço!

Depois disso todos os outros atendimentos foram cafés pequenos!
Ao final uma uníssona conclusão:  'A gente sofre, mas se diverte.'

terça-feira, 23 de novembro de 2010

De tanto ver triunfar as nulidades...

Hoje tivemos (meus colegas e eu) um impasse no trabalho. Explico:
Uma colega se mostrava indignada com a prisão de uma amiga (dela) com o marido e mais dez pessoas. O motivo? Crime na internet: eles roubavam senhas e faziam transferências ilegais pra suas próprias contas.
Das quatro pessoas na sala, apenas eu, era a favor da prisão.
Tentava explicar, em vão, que o crime não compensa, que não eram os policiais os vilões da história, que isso, que aquilo....
Acreditem, mas só deram o braço a torcer quando falei de índole, caráter, valores. Eles, obrigatoriamente tiveram que ceder. Quem vai admitir que não tem caráter? Nem um louco o faria!
A minha indignação diante da polêmica era tanta que me revoltei quando um deles defendeu roubos à bancos, à instituições do governo, etc. Nesta hora tive que apelar falando nos pais de famílias que lá trabalham, que o dinheiro do governo É NOSSO, etc, etc...

Gente, eu realmente fiquei decepcionada! Ao ponto de horas depois as pessoas presentes no diálogo virem se desculpar.
Sinceramente, eis a resposta para quando os cidadãos se decepcionam com a violência:
Até que ponto, nós, ditos cidadãos, somos coniventes com crimes só pelo fato de ser 'alguém conhecido', 'ser contra os ricos', 'ser contra o governo'?
Eu peço SOCORRO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto".
Rui Barbosa


sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Ingrid Betancourt


Não há silêncio que não termine

Magnifico!

Não existe outro adjetivo para falar do livro e da pessoa desta mulher!
Me senti envergonhada pelas vezes que fui chamada de 'mulher forte'. Minha referência hoje em dia de fortaleza é esta mulher.
O livro é tão bacana, que simplesmente eu viajava para Amazônia e vivia, durante a leitura, num acampamento das FARC (toc-toc). Me emocionei, e sofri com ela as dores e os horrores impostos por este grupo. Fiquei feliz com a sua libertação, com a fulga do Pinchal...
Bom, melhor vcs irem verificar com os próprios olhos!
Recomendo demasssss!!!!