segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Sobre mudanças

Não, eu não acredito mais no amor.
Faz tempo que deixei de acreditar no 'felizes para sempre', e passei a crer no 'felizes da melhor forma possível'.
Se no passado soubesse que depois dos trinta não sentiria mais borboletas na barriga, nem vontade de desmaiar, nem o rosto ruborizar; teria um milhão de vezes mais pulado de cabeça na paixão. 
Teria jogado fora todas as estratégias e atitudes eficazes.
Teria vivido intensa e plenamente todas as dores, todas as angústias, todos os momentos.
E não foi por falta de aviso, tive no início da adolescência duas professoras-mestras-mentoras-gurus no colégio que estudei aqui em Ipu. Elas me aconselharam inúmeras vezes, e uma delas sempre deixava recadinhos me mandando virar a Super-Paula e viver cada momento 'bem vivido e bem sentido', era o que ela gostava de dizer...
Lógico que cresci com esta vantagem do conselho, porém seguia poucas vezes, preferi em muitos casos me colocar em uma redoma protetora, camufladora de sentimentos.
Mesmo na minha principal história, que me rendeu um filho lindo, noites mal dormidas, um coração despedaçado e muitas seqüelas; mesmo nela lancei mão do meu alter-ego para me fazer de 'durona'. Não vivi o luto deste ex-amor, e nem poderia, pois ao meu lado estavam pessoas que sofreriam junto se me vissem assim.
Então em pouco tempo tive que colocar a máscara da sensatez e tentei desesperadamente procurar um 'substituto' para aquele amor. Lógico que tive a consciência de fazer a substituição só no meu coração, na vida do Gustavo, apesar de toda mágoa, sempre deixei claro que o pai dele era uma pessoa que não faria mais parte das nossas vidas em tempo integral.
Foi uma atitude infantil e por que não dizer, burra?
Fazendo esta reflexão, me pergunto, porque cargas dágua durante tanto tempo eu escondi isso? Só provocou foi mais dor.
Hoje convivo tranqüila(?) com a situação exposta. É assim e pronto. Nada de grandes lamentações. Foram escolhas, desde o momento em que o vi(enxerguei) pela primeira vez  sentado à minha frente no chão daquele hotel fazenda.
A minha descrença no amor vem da questão óbvia e inevitável que outra pessoa que apareça, ou não, na nossa vida, não será uma formação convencional de família, pois sempre conviverei com a 'divisão' da presença do Gustavo.
Triste? Obvio que não!
Sem hipocrisia, sou muito bem resolvida na minha história atual, cheguei, ao menos, no sonho profissional, de reconhecimento, admiração, confiança pelos superiores e pacientes. Isto me enche de orgulho e prazer.
E pelo menos, por enquanto, afinal a vida muda rápido demais, isto me basta!

2 comentários:

Airton Soares - "AS" disse...

Parabéns pela coragem de dizer...

Esta frase cabe - acredito - neste contexto.

Nietzsche, in Assim Falou Zaratustra, pág 97. "Todas as verdades caladas se tornam venenosas."

A braço S

Kamyla disse...

Nossa!!!Que texto!!!Nos faz pensar um pouco tb...
Bjossssssssss